A dor da saudade e a ilusão de ganhar o mundo
A gente passa a vida inteira acreditando que vencer significa ir longe, conquistar espaço, “ganhar o mundo”. A gente arruma as malas, se despede, abraça a estrada e segue em frente na busca de um futuro melhor. Mas o tempo passa e traz uma verdade dura: o mundo é grande demais, e o peito, às vezes, fica pequeno para tanta ausência.
É aí que a saudade bate. E ela dói de vários jeitos.
Dói na falta dos meus pais, que já se foram para o plano de cima e deixaram um vazio que nenhum lugar no mundo consegue preencher. Dói também nos meus filhos — esses estão vivos, graças a Deus, mas a distância física faz cada quilômetro parecer uma eternidade.
A saudade não escolhe só as coisas perfeitas. Sinto falta da minha cidadezinha, do cheiro da terra, da rotina simples. Sinto falta dos meus irmãos e até dos amigos: dos bons, que deixaram lembranças ternas, e dos ruins, que ao menos faziam parte daquela vida real e pé no chão.
Olhando para trás, percebo que ganhar o mundo foi, em grande parte, uma ilusão. A gente acha que a felicidade está lá na frente, no topo, em terras distantes, mas descobre que ela ficou lá atrás, nas coisas simples que deixamos para caminhar.
Se eu pudesse escolher agora, sem pensar duas vezes, trocaria qualquer conquista distante para estar de volta na minha quebrada. Porque o mundo pode ser vasto e cheio de promessas, mas o nosso lugar de verdade é onde o nosso coração descansa.